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Surdo News
Desde: 23/05/2003      Publicadas: 23      Atualização: 13/06/2003

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 Notícias

  01/06/2003
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Formação de intérpretes

O que é ser intérprete da língua de sinais? Como se tornar um deles?

<b>Formação de intérpretes</b> Um requisito importante para o sucesso da educação dos surdos, no Brasil, é a existência de intérpretes, com boa formação, de Língua Brasileira de Sinais e Língua Portuguesa.
Dada a inexistência desse tipo de formação, no país, as estratégias mais viáveis a serem adotadas, no momento, seriam aquelas que impulsionassem esse processo, sem a necessidade de um curso dedicado, apenas, a esse propósito. Assim, recomenda-se àqueles que sabem fazer uso da Língua Brasileira de Sinais e da Língua Portuguesa, em atividades de interpretação, que iniciem sua formação atendendo a:

a) cursos de Língua Brasileira de Sinais que os capacitem ao uso fluente dessa língua e que lhes atribuam certificados e créditos;
b) cursos, no total de, no mínimo, oito créditos, de Lingüística, com foco nas áreas de Semântica e Pragmática;
c) cursos de Língua Inglesa, que os habilitem ao uso fluente dessa língua;
d) cursos de Ética Profissional (dois créditos);
e) prática de interpretação de, no mínimo, um ano.

Os cursos de Língua Brasileira de Sinais têm por objetivo levar os alunos ouvintes a se tornarem usuários fluentes dessa língua de sinais. Os níveis dos cursos irão do mais básico ao mais avançado, à semelhança dos cursos de língua estrangeira existentes no país. Os cursos de Lingüística, em nível de Graduação ou Pós-Graduação, podem ser atendidos em qualquer universidade ou faculdade do país. Cada disciplina de Lingüística vale, em geral, dois créditos e, nesse caso, pelo menos duas delas devem ser na área de Semântica e Pragmática. As outras disciplinas podem ser em qualquer área da Lingüística. Caso o aluno esteja matriculado em um curso de nível superior que ofereça essas disciplinas, é o caso de apenas optar por elas e completar os oito créditos. Se o aluno estiver matriculado em curso superior que não ofereça essas disciplinas, ele pode atender a elas nos cursos que contemplem os alunos com disciplinas de Lingüística. Quando o aluno não estiver matriculado em nenhum curso de nível superior, ele deve buscar os cursos de Extensão Universitária, cuidando para que o número de cursos seja equivalente a um total de oito créditos.

Toda formação de intérpretes prevê que estes venham a ser usuários fluentes de Língua Inglesa. Os intérpretes devem estar aptos a traduzir palestras, cursos e encontros de diferentes tipos da Língua Inglesa para a Língua Brasileira de Sinais e vice-versa.
Os cursos de Língua Inglesa podem ser atendidos nas faculdades ou universidades do país ou em qualquer curso de língua estrangeira. Os dois créditos de Ética Profissional podem ser obtidos em qualquer curso de nível superior do país, da área de Ciências Humanas.
Os cursos de Extensão Universitária também são válidos. A prática de interpretação pode ser exercida em qualquer setor da sociedade, durante, pelo menos, um ano.
Dessa forma, as pessoas interessadas em formarem-se como intérpretes, que atendam às necessidades dos surdos, estarão em processo de formação, sem que haja necessidade de um curso específico para isso, em um dado local.

A formação recomendada acima, devidamente comprovada, e a prática de interpretação, também comprovada, podem ser revalidadas, posteriormente, em um curso que complete essa formação com disciplinas mais específicas, como, por exemplo, Técnica de Interpretação.
A formação de intérpretes é necessária para atender também a demandas nos meios de comunicação, que, direta ou indiretamente, também contribuem para a formação dos surdos. O artigo 19, do Capítulo VII, da Lei 10.098, de 19 de dezembro de 2000, prevê o uso da Língua Brasileira de Sinais nos meios de comunicação de tal forma a facilitar o acesso dos surdos aos conteúdos dos programas.
Assim, a participação do intérprete nesse processo de acessibilidade do surdo à informação, veiculada através da subtitulação em Língua Brasileira de Sinais será muito importante porque:

a) Atende à população de surdos, usuária de Língua Brasileira de Sinais; apenas uma minoria de surdos não faz uso dessa língua de sinais para suprir suas necessidades comunicativas;
b) Sendo a Língua Portuguesa uma segunda língua para os surdos brasileiros, usuários ou não da Língua Brasileira de Sinais, a leitura de legendas ou subtitulação em português é sempre uma tarefa mais árdua para eles do que o é para os ouvintes;
c) Dessa forma, a subtitulação dos programas televisíveis em Língua Brasileira de Sinais, principalmente, aqueles de cunho informativo (jornais, documentários, noticiários, pronunciamentos, propagandas eleitorais, informações sobre obrigações cívicas dos cidadãos, discursos assertivos e argumentativos, etc.) é altamente recomendável, porque é a via que vai permitir o pleno acesso do surdo aos conteúdos desses programas;
d) Os programas traduzidos em Língua Brasileira de Sinais podem ser legendados, sob a forma de “closed caption”, e os que não forem interpretados nessa língua de sinais devem ser legendados sob a forma de “closed caption” ou de “open caption”.
e) No caso de subtitulação em Língua Brasileira de Sinais, há, pelo menos, dois tipos de vantagem: a) esse tipo de subtitulação parece ser muito menos dispendiosa do que as legendas em Língua Portuguesa; b) além do mais, a subtitulação em Língua Brasileira de Sinais facilita o acesso, aos conteúdos dos programas televisíveis, não apenas dos adultos surdos como também das crianças surdas. Estas dificilmente seguirão a subtitulação em Língua Portuguesa escrita.”.
  Autor:   Fonte:Lucinda Ferreira, in: O Surdo e a Língua Brasileira de Sinais, MEC, a sair


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