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Surdo News
Desde: 23/05/2003      Publicadas: 23      Atualização: 13/06/2003

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 Notícias

  01/06/2003
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Inclusão de surdos na fitway

Uma história emocional envolvendo surdez...

Em pleno século XXI, é inacreditável, que dentro das academias ainda exista diferencial de ensino para pessoas surdas, sendo que a única diferença é que algumas podem ouvir e outras não. O grau de inteligência dos surdos é igual ou até melhor, pois seu nível de percepção é mais aguçado, só com um único diferencial, o de ser surdo.
Quem sou. Meu nome é Alexandra tenho uma academia localizada no estado de São Paulo no bairro de Pirituba zona oeste.Sou professora de educação física formada pela Unisa –sp, onde também estou fazendo curso de pós-graduação em educação especial. A partir de abril/03 estarei fazendo outro curso de pós-graduação, o de natação e hidroginástica onde farei uma monografia voltada à natação para surdos.
Meu trabalho com surdos. Comecei a trabalhar com surdos há aproximadamente três anos. Quando terminava uma aula de natação, percebi entrada de duas meninas (moças) uma delas me chamou atenção pelos olhos azuis, nossa que olhos azuis, nunca tinha visto nada tão claro! Ao entrar na piscina, a primeira apresentou-se como Letícia e quando me voltei para cumprimentar a segunda, Letícia entrou na minha frente falou: Ale essa é Mariana minha irmã ela é surda o que você precisar me fale que eu digo para você em sinais. Fiquei parada durante alguns segundos, olhando para aquela pessoa e imaginando o que era ser surdo e como iria fazer para me comunicar com ela, já que não sabia o alfabeto de mãos e muito menos sabia que existia a linguagem de sinais. Ai meu Deus!Era um mundo tão distante da minha realidade. O que fazer? Tinha que aprender a me comunicar! Somos seres humanos adultos e competentes, não nascemos falando e andando, mas sim aprendemos com o tempo.Ao terminar a aula perguntei a Letícia, se ela teria algum livro, caderno, algo que me fizesse aprender aquela linguagem de sinais. Na sexta-feira seguinte, Letícia me trouxe a xerox de um livro onde Mariana tinha estudado quando era pequena. No decorrer das aulas, Mariana só tinha olhos para Letícia, recebendo mensagem de Letícia, sem nem sequer olhava para mim e dentro de mim pensava: Vou aprender a fazer essa linguagem de sinais. Com o decorrer do tempo, não deixei a Letícia falar por mim. Comecei a dar aula para Mariana com o livro de sinais nas mãos, cada palavra que ia usar, pegava o livro para aprender a fazer o sinal. Na rua, tudo que lia nos letreiros, faixas, lojas, muros ia lembrando e transformando as palavras para o vocabulário e depois olhava no livro para saber o sinal da mesma. Com o decorrer do tempo eu, Letícia e Mariana nós tornamos amigas, e começamos inclusive a viajar juntas.
Um belo sábado convidei Mariana e a convidei para ir viajar sozinha comigo, ela concordou porem tivemos que ir antes no colégio em que estudava para ela se encontrar com a amiga Stefani. O mais interessante é que ela mesma me explicou o caminho; (ai passou pela minha cabeça “como ela pode saber o caminho?” E logo lembrei. Qual o problema ela só é surda). Foi nesse dia que conheci a escola derdic.Passaram-se os anos e fui me aprimorando na linguagem de sinais; com o passar do tempo comecei a usar a Internet procurando informações sobre surdez, surdos, escolas, federações, associações...
Depois de três anos fazendo natação Mariana cansou e quis parar de nadar, ai, em minha cabeça veio à mensagem: e agora. Como vou treinar libras se não tenho mais a Mariana para conversar comigo?Lembrando que com esse aprendizado incluímos libras como linguagem entre os professores de nossa academia. É um método de conversar de longe sem precisar gritar e nem chegar muito perto e acabar atrapalhando o outro professor. Quando Mariana saiu, pensei “mesmo trabalhando com os professores, como vou aprimorar o meu aprendizado de libras, Foi quando nos visitou Homem (rapaz), indicado por uma professora da academia, perguntando em libras se Alexandra estava para poder conversar com ela sobre preços”. Logicamente fiquei feliz em saber que teria alguém para praticar e continuar aprendendo libras. Dá para se perceber quando se fecha uma porta outra se abre. Com Francisco tive uma maior vivencia com a linguagem de sinais, isto por ele ser mais velho, não ser tão tímido quanto Mariana e conhecer maior numero de sinais.Com ele veio Fabio seu irmão, Luiz seu amigo e outros por e-mail.Perguntei a eles se conheciam alguns sites de surdos para me informar, foi quando recebi o endereço da feneis, que foi a primeira a me ajudar com a divulgação da academia em seu site. Um belo não estando na academia telefonou-me a secretaria, informando que tinha estado lá um homem, cujo nome é Ricardo, perguntando de mim que era surdo e que havia lido no site da feneis, que a fitway tinha professores que usavam método de libras, então foi lá para nós conhecer.Bom a história para por aqui, essa é só um pedaço de um livro que estarei escrevendo sobre a vivencia com surdos e como é o processo de sociabilização, aprendizado dentro de uma academia.
Este texto serve tanto para surdos como para ouvintes, pois tem como única proposta, o do aprendizado, esse tanto para alunos, professores, ouvintes e surdos.
  Autor:   Fonte:www.fitway.cjb.kit.net


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